Desenvolvedor: Fogo Games
Ano: 2026
Dispositivo: PCs e Xbox

Meleca voando para todo lado neste top-down shooter com armas malucas que explodem cabeças de uns zumbis meio… bizarros. Sua missão é simples: deixar a cidade toda grafitada enquanto essas aberrações tentam te pegar!

Colocado dessa forma, não deixa de despertar uma certa curiosidade e por R$ 19,99 dá pra encarar de boa. O problema é que até chegar no caixa, é preciso passar pelas imagens, pelos vídeos e, se tiver tempo, pelo demo. Mas não é esse o caso aqui.

Confesso que em condições normais de temperatura e pressão eu não chegaria nem na parte do demo. É um jogo pixel art sem que isso se justifique pelo tema. Nostalgia? Será? Não! O título por si só, não ajuda muito, Gueto? Zumbis? Nada muito inovador. Entendo que tudo isso pode ser ofuscado se o jogo for bacana, divertido e gostoso de jogar, mas pra chegar nesse ponto o que vem antes não está ajudando muito. Vale o dito popular: me ajude a te ajudar.

Ghetto Zombies – Graffiti Squad, foi um dos games escolhidos para fazer parte do nosso novo canal no youtube que irá avaliar pelo menos dois jogos por semana, ou quinzena (o que der mais certo). Então não tem muito o que considerar: pagamento feito, download feito, bora jogar.

Mas antes de ir adiante cabe alguns considerandos: segundo matérias aqui mesmo do IndieBrasilis (veja os links no final do texto) o jogo consumiu uns 5 anos de desenvolvimento, com uma equipe de várias pessoas. Foi financiado em 2/3 por editais (PROAC-SP e Lei Paulo Gustavo da Spcine) e 1/3 via Xbox. Isso, por si só, já determina um rigor maior na avaliação, afinal, é dinheiro público: “São pessoas que pagaram todas suas contas por meses, e alguns por anos, através desses investimentos, então não tem como não dizer que isso foi vital pro GZ acontecer“.

Outro ponto interessante citado pelos criadores nas matérias é: “…queríamos um jogo que tivesse uma pegada muito forte da cultura HipHop, no estilo de se vestir, na mecânica de grafitis…“. Mais um motivo para explorar todas as nuances das altas resoluções e das 16 milhões de cores disponíveis. Não é que o visual do jogo seja feio, mas poderia ter sido muito mais atraente, afinal, a modinha do pixel art sem justificativa plausível tende a cansar.

A disponibilização do artbook em português brasileiro é gratuita, como forma de contrapartida de democratização do acesso ao conteúdo produzido para o jogo através dos editais PROAC 33/2022 e Spcine 05/2023/LPG“. Isso é excelente. Dá uma boa ideia do trabalho gráfico e de certa forma (quase) justifica o investimento público.

Infelizmente o Ghetto Zombies ainda não é ranqueado no SteamSpy mas no SteamBD ele marca a faixa entre 1.1k e 1.2k. É pouco mais de mil owners, principalmente se o estúdio pretende trabalhar o jogo como franquia, o que diga-se de passagem, é o certo a ser feito.

Por falar nisso, o Ghetto me lembrou do Duke Nuken que, antes de virar a versão 3D, IP mundialmente famosa, era um shooter plataforma cujas duas edições zerei pelo menos umas 3 vezes. Bons tempos aqueles.

Mas vamos ao jogo. Como dito antes, pixel art sem justificativa no tema é complicado. Ler o enredo na introdução, com letras pixeladas, é cansativo e desnecessário. Durante o jogo até nem chega a comprometer mas uma coisa é o Duke Nuken pixel art porque era o top máximo de qualidade que se tinha na época e outra é usar pixel art por modinha. Até porque o art book mostra um trabalho gráfico visual muito interessante.

É gostoso matar os zumbis e grafitar os muros também. Achei os controles no teclado meio ineficientes mas entendo que não há muito o que fazer sobre isso. Gostaria de ter mais tempo sem embates, para explorar os locais do jogo (saborear a locação), procurar por coisas interessantes etc, mas os zumbis não dão trégua.

Não é o tipo de jogo que eu gosto de jogar atualmente mas reconheço que depois de “pegar as manhas” o jogo fica gostoso. O problema é facilitar ao máximo que o pretendente a jogador chegue até esse ponto. É o típico nadou, nadou e morreu na praia.

Gostei do conjunto da obra e diria que vale a pena manter o olho apontado para o jogo. Principalmente se de fato ele virar uma IP.

Mais sobre o Ghetto Zombies aqui no IndieBrasilis:

Ghetto Zombies: “pessoas pagaram suas contas com os investimentos”, diz diretor do game

Ghetto Zombies: estúdio celebra um mês do lançamento com Artbook gratuito

Cinco curiosidades sobre o indie brasileiro Ghetto Zombies: Graffiti Squad

Ficha Técnica:

  • Data de Lançamento: 16 Janeiro de 2026
  • Distribuidora: Nuntius Games
  • Gênero: shooter
  • Número de Jogadores: 1
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