Ghetto Zombies, o irreverente jogo de tiro em pixel art, criado pelo estúdio paulistano Fogo Games, e lançado em janeiro desse ano, que coloca os jogadores para combater zumbis da comunidade com inúmeras armas disponíveis, é um daqueles feitos memoráveis pela qualidade final do produto e pela tenacidade de seus produtores, que não pouparam talento e investimento em tempo e dinheiro para criar um dos games brasileiros mais interessantes e divertidas da atualidade.

No game, a quebrada é a última esperança da humanidade contra os zumbis, onde o jogador deverá escolher entre quatro personagens com características distintas, o poderoso Esquadrão Ghetto Z, para combater seus algozes, a população da cidade que foi transformada em zumbis após a contaminação de um vírus disseminado pelos encanamentos. Uma das primeiras sacadas do roteiro está no fato de trazer a dura realidade da periferia para o universo do jogo: a quebrada foi salva da catástrofe em virtude da crônica falta de água nos bairros pobres da cidade, e agora os moradores precisam lutar para impedir a invasão dos mortos-vivos.

Os desenvolvedores têm uma série de histórias para contar sobre a produção, mas compartilharam no site algumas informações preciosas sobre o processo de criação de Ghetto Zombies: Graffiti Squad, que você confere abaixo:

  • Como surgiu a ideia do Ghetto Zombies?

A ideia do Ghetto Zombies surgiu através de uma conversa sobre como a gente sentia falta de representação da identidade brasileira nos jogos, a partir disso começamos a desenvolver melhor o universo, a jogabilidade e a identidade do jogo, os zumbis são um tipo de inimigo comum quando se fala da fantasia com narrativas urbanas, mas gostamos de reverter o terror geralmente associado a eles em algo maluco e criativo, levando esse conceito para outras direções.

  • Como foi o processo de escolha de arte e do tema abordado?

Os personagens e o visual nasceram naturalmente conforme a ideia foi amadurecendo, desde o começo queríamos um jogo que tivesse uma pegada muito forte da cultura HipHop, no estilo de se vestir, na mecânica de graffitis, nas músicas, e que também fosse uma interpretação fantasiosa de elementos urbanos que vemos no nosso dia a dia, como a caracterização das pessoas que a gente convive e as músicas comuns de se ouvir.

Sempre foi uma intenção da equipe que o jogo tivesse uma atmosfera animada, colorida, divertida e leve, sem deixar de lado nossa consciência enquanto moradores de periferia, e esse foi o fio que ligou a estética e o conceito do jogo como um todo, na narrativa e na construção do universo.

  • Qual Engine é usada para desenvolver o GZ?

O Ghetto Zombies é desenvolvido no Gamemaker Studio, que é uma engine com um grande portfólio de jogos indie. O projeto passou por várias alterações de versões da engine ao longo do desenvolvimento, e vimos vários recursos novos surgirem para auxiliar no desenvolvimento. Os representantes da engine sempre mantêm contato conosco para auxiliar na promoção do jogo, é sempre muito legal trabalhar com eles.

  • Quais as referências para o Ghetto?

O GZ se inspira em jogos de tiro top-down que são ícones na cena indie como o Enter The Gungeon (variedade de armas e teor cômico) e o Atomicrops (pixel art moderna e atmosfera caótica divertida). Um grande clássico que geralmente associam o Ghetto é o “Zombies at My Neighborhood”, que é um jogo que a gente ama. Nossa maior referência brasileira é o jogo Relic Hunters, a jogabilidade dele e a variação de mecânicas das armas é simplesmente incrível.

  • Quanto tempo levou para desenvolver o Ghetto Zombies?

É difícil responder porque ele passou por alguns processos de interrupção, não foi bem uma “linha contínua”. Ele inclusive passou por três reformulações gerais (na arte no código) em que ele foi literalmente “refeito do zero”. Mas todo esse trabalho iniciou em 2020, então podemos dizer que é uma IP que está sendo trabalhada há 5 anos.

Por fim, como explicou Fabio Cacho, diretor criativo do estúdio, em conversa com o Indie Brasilis, sem aporte financeiro teria sido praticamente impossível desenvolver o projeto, mesmo com todo o tempo empenhado pelo time na produção. “Sim, tivemos investimentos”, confidenciou o produtor do game. O jogo foi financiado aproximadamente dois terços por editais e um terço pelo investimento da Xbox. Teve momentos em que o projeto teve quase 20 pessoas na equipe trabalhando ativamente, entre fixos e freelas, isso seria impossível em um modo de produção de ‘guerrilha’ sem verba”, confirmou o profissional na troca de mensagens com o site. Ghetto Zombies foi contemplado pelo PROAC-SP e Lei Paulo Gustavo da Spcine, além do valor empenhado pelo programa para jogos independentes da Microsoft. “São pessoas que pagaram todas suas contas por meses, e alguns por anos, através desses investimentos, então não tem como não dizer que isso foi vital pro GZ acontecer”, ressaltou, realizado em poder envolver um grupo tão confiante de profissionais nesta empreitada que merece a atenção e o respeito da comunidade.

Ghetto Zombies: Graffiti Squad chegou oficialmente ao Steam no dia 16 de janeiro e pode ser adquirido por apenas R$ 20,69.

Mais informações sobre a produção podem ser acessadas diretamente no site oficial do estúdio.

Imagem: reprodução

Deixe um comentário