O estúdio brasileiro Point N’ Sheep anunciou, no final de abril deste ano, seu mais recente projeto, Laser Guy, título que mistura o ambiente sempre angustiante do desenvolvimento de jogos no Brasil com o humor sarcástico da realidade corporativa contemporânea e mecânicas de quebra-cabeça focadas em destruição, mas não na eliminação de oponentes. Como explicam os desenvolvedores do projeto, Laser Guy é “um jogo de tiro com dois controles analógicos onde você manobra seu laser ao redor dos seus colegas de trabalho, tentando não atingir ninguém. Apenas mais um dia normal no escritório de desenvolvimento de jogos!”, relatam, com evidente verve cômica a partir do cotidiano enlouquecedor de equilibrar o emocional vivendo de fazer jogos no país e conseguir pagar boletos e manter a sanidade.
Na trama do game, os jogadores acompanham a saga de um desenvolvedor de jogos estressado que chega ao seu limite, surtando de ansiedade. Como resultado, o personagem passa a disparar rajadas de laser incontroláveis que vão destruindo o ambiente ao seu redor. Diferente da maioria dos games do gênero shooter, em Laser Guy você não derrotará inimigos, mas devem encontrar meio de escapar do opressivo ambiente de trabalho sem atingir os demais profissionais ali presentes. Acertar os incautos trabalhadores do escritório reinicia instantaneamente a sala, dando continuidade ao caos e à destruição em um ciclo que faz rir da patética existência profissional de muitos de nós, desenvolvedores ou não de jogos digitais.
O game se passa na fictícia Capital Prime e no Silicon Belt, regiões que fazem alusão ao mundo dos negócios e da alta tecnologia, em um mundo dominado por megacorporações exploradoras. Nestes estúdios, o jogador encontrará um conjunto de situações disparadoras do Burnout meticulosamente espalhadas por todo o local de trabalho do personagem, como os prazos impossíveis de serem cumpridos, a cultura do Crunch, as tensas relações entre os criadores de jogos e as distribuidoras, ambientes corporativos tóxicos, pressões e perseguições hierárquicas e linhas de produção movidas a isotônicos.
O estúdio Point N’ Sheep é conhecido pela Bloodless, aventura de ação e estilo retrô inspirada no Japão feudal e vencedor do prêmio de Melhor Jogo Brasileiro no BIG Festival 2023.
Imagem: fotomontagem
