Aparentemente, muito se fala e pouco se compreende, na atualidade, acerca do Autismo, uma condição de saúde que, para muitos, é mais um ‘modismo’ e uma forma de justificar um comportamento diferente da maioria da população, infelizmente. De fato, parece difícil fazer o cidadão médio entender os variados graus do espectro e diferir que acometidos no nível de suporte 1 não terão comportamento ou necessidades similares àqueles mais tipificados, normalmente no nível de suporte 3, e que exigem maior atenção ou cuidados. My Girlfriend is a VAMP, jogo indie brasileiro em desenvolvimento, busca trabalhar no auxílio à compreensão das pessoas com autismo aparentemente funcional e suas dificuldades cotidianas.
A forma de abordagem é simpática e envolvente, trazendo a figura de uma VAMP, isto é, uma Vampira Autista Mágica Princesa, que deve ser conduzida pela aventura 2D na qual as situações do dia a dia representarão verdadeiros perigos para a personagem.
Na jornada existencial da jovem vampira, os jogadores assumirão o papel de sua namorada e tomarão decisões para evitar sobrecarga sensorial, oferecer apoio emocional e fazer escolhas significativas enquanto ajudam a criaturinha a retornar ao seu castelo, conhecendo de forma mais ampla o universo comum da condição de autismo e fortalecendo o relacionamento entre ambas.
Diferente da grande maioria dos games cujo objetivo se trava por meio dos combates, aqui, o desafio não é lutar contra inimigos, mas lidar com aparentemente simples para as pessoas comuns que podem ser desastrosas para alguém que vive no espectro da condição autista, uma decisão ousada do estúdio, que exige mais do que compreensão das dinâmicas clássicas dos jogos digitais, sendo uma opção narrativa voltada aos conflitos internos em cujas pequenas decisões reside o bem-estar da princesa.
O roteiro do jogo entrega uma história na qual, no aniversário da sua namorada, você descobre que ela é, na verdade, Patricia Rebecca Isabella Nastya Carol Elena Saori Silva, uma Princesa Mágica Vampira Autista, que precisa voltar para casa para a festa de celebração e assumir seus deveres como futura governante. Ela foi enviada ao mundo humano para viver entre os ‘não-vampiros’ e buscar uma forma de manter a coexistência pacífica entre os dois povos.
Para conduzir esta aventura, os jogadores contarão com um medidor de bem-estar da princesa, que flutua de acordo com os perigos aos quais ela estará sujeira. Cabe a você observar os níveis de ansiedade, que se revelam ao longo do jogo por meio de gestos e ações. Se a barra de pânico atingir um patamar muito elevado, a princesa entra em descontrole emocional e se torna difícil de controlar, correndo o risco de desaparecer deste plano de existência se a barra atingir seu limite máximo.
Os diálogos apresentados no jogo conferem personalidade à princesa, revelando seu humor, desejos e inseguranças. Aqui, a empatia é fundamental para escolher as melhores respostas e manter a proximidade com a jovem, evitando situações que podem desestabilizar seu emocional.
A produção do TinyTank Studio promete oferecer múltiplos finais, dependendo do desempenho e da empatia dos jogadores na condução da aventura e a produção oferece uma história que mescla elementos como fantasia, diversão e atenção a temas sensíveis, com empatia e espírito solidário aos neurodivergentes, aspectos que por si só já garantem o diferencial do título.
Além do tema incomum à grande leva de jogos digitais, que deve ganhar a atenção de uma parcela dos jogadores, o trabalho é todo realizado com uma notável pixel arte, feita em tons suaves e contrastes sutis, que denota o capricho do estúdio nos detalhes do projeto.
Segundo informações, os desenvolvedores contaram com a consultoria de uma psicóloga especializada em TEA, o Transtorno do Espectro Autista.
Interessados podem acompanhar detalhes da produção na página do jogo no Steam.
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