Em essência, os jogos do tipo RPG permitem criar universos temáticos em quaisquer linhas conceituais, como jogos inspirados em clássicos como Dungeons & Dragons, aventuras espaciais, cultura samurai ou em ambientados no futurismo cyberpunk, entre muitos outros. Mas é inegável que os mundos da fantasia medieval parecem ter um apelo especial para os desenvolvedores brasileiros e alguns projetos reforçam essa ideia, como Knights of Pen & Paper e Deep Dish Dungeon, ambos games de grande aceitação entre os jogadores, criados pela desenvolvedora Behold Studios, além de outros que seguem a mesma premissa.
A turma do Evolution Game Studio, iniciativa de profissionais sediados em Natal, no Rio Grande do Norte, e em São Paulo, acaba de disponibilizar Dragon Khan, um RPG de ação em terceira pessoa ambientado em Ithannar, um mundo de dragões, no qual o jogador controla Botu, um personagem draconato verde, isto é, um herói não-humano, nascido com asas e poder elemental. Na história apresentada este guerreiro vive os desafios resultantes de um conflito desencadeado pelo desaparecimento de um Khan dragão e pela perturbação causada por uma invasão misteriosa, que surge com o objetivo conquistar o domínio da floresta.
Mesmo parecendo uma temática similar a muitos outros projetos de jogos que focam nas desventuras de um mundo de fantasia inspirado no período medieval da sociedade humana, o game inova não apenas pela figura do protagonista draconiano, mas por algo que deveria ser uma opção padrão nas produções de jogos nacionais, isto é, o desenvolvimento da narrativa com idioma de dublagens e legendas em português do Brasil.
“Uma decisão que não abrimos mão […] foi traduzir o jogo para português brasileiro desde cedo. As legendas e a dublagem em PT-BR já estavam planejadas nos primeiros estágios do desenvolvimento e chegaram junto com a demo”, explica Kiev Martins, produtor do estúdio, em entrevista concedida ao site República DG. “Essa escolha não foi comercial, foi por causa da nossa cultura. Somos brasileiros e queríamos que o jogo estivesse acessível na nossa língua desde o início”, enfatizou o integrante do projeto, defendendo valores que ressaltam a importância de dialogar com esse imenso mercado de brasileiros que não dominam um idioma estrangeiro mas adoram narrativas de jogos de interpretação e jornadas épicas nos games.
A decisão do time de desenvolvedores é de fato uma escolha incomum, mas muito bem-vinda para o público nacional, fã dos jogos digitais e da temática dos mundos oníricos de espada e magia. Kiev detalha que a desenvolvedora pretende continuar com esse viés de produção em novas empreitadas: “O estúdio tem vontade de trabalhar de forma mais direta com cultura brasileira em projetos futuros, mas aqui a prioridade foi ser honesto com o universo que o jogo propõe”, salientou, explicando que a presença da cultura brasileira neste jogo se dá de forma mais tímida e indireta, focando a experiência do jogo atual “mais para a fantasia medieval, com um pouco de influência oriental”;
Como informa o artigo do site Meta Galáxia, “a proposta do jogo gira em torno do domínio de antigas artes marciais e do controle da magia que permeia o próprio mundo, combinando combates corpo a corpo técnicos com habilidades sobrenaturais que influenciam diretamente a dinâmica das batalhas”, em um modelo de gameplay que vai mais uma vez na contramão dos clássicos confrontos com espadas, frequentemente vistos em jogos do gênero.
“Botu não usa armas, ele derrota seus inimigos na base da pancadaria, utilizando combos simples que combinam socos e chutes e podem ser usados em diferentes sequências, gerando diferentes efeitos, especialmente ativando dano elemental ao final dos combos, causando alto dano aos inimigos”, opina o articulista Renan do Prado, em análise para o site Arkade, informando que o game apresenta “finalizações bem brutais, eliminando instantaneamente inimigos atordoados ou bastante feridos”, com uma apresentação estética cheio de efeitos visuais bem elaborados.
O design visual do game é, sem dúvida, um dos pontos de destaque da produção, com elementos bem acabados nos cenários e na figura central do personagem draconiano, além de outros recursos que favorecem uma ampla aceitação do público à novidade brasileira. “Dragon Khan é um jogo completo, com uma premissa promissora, gráficos que surpreendem e uma dublagem impecável, que deixa o jogo mais imersivo. O seu ritmo é curioso e interessante”, avaliou Julia Gabriela em texto publicado no site Geek Pop News.
“Quando Khan Dorniut, governante do domínio da floresta, desaparece e uma força externa invade seu território, Botu é levado a investigar quem orquestrou tanto o desaparecimento do Khan quanto o ataque à floresta, confrontando as estruturas de poder mais profundas que regem Ithannar”, descreve o informe do jogo presente na página oficial na loja virtual Steam, onde é possível baixar uma versão demo da criação.
A equipe de Dragon Khan é composta, em parte, por profissionais que trabalharam anteriormente no jogo DOLMEN, e agora encaram uma nova produção sem contar com o apoio de uma grande publicadora, viabilizando a empreitada com recursos próprios e em busca do interesse e do envolvimento do público brasileiro para alcançar sucesso com o mais recente trabalho.
Dragon Khan ainda não tem data oficial de lançamento, mas já conta com boas impressões em alguns portais ligados aos jogos digitais.
Assista, abaixo, ao trailer de apresentação do game.
Imagem: reprodução
