Desenvolvedor: Yeon 연
Ano: 2025
Dispositivo: PC (Windows e Linux)

Em um futuro onde memórias são a última conexão com a humanidade perdida, você é uma IA avançada, explorando fragmentos de vidas passadas. Compreenda emoções, traumas e escolhas em uma jornada para desvendar o que significa estar vivo.

A imagem remete a um modelo de jogo pós apocalíptico bem tradicional, Poderia muito bem ser um Doom remold. Catalogado como narrativa interativa ou Graphic Novel fica claro, bem claro, de que tipo de jogo estamos tratando aqui. E o preço, ah o preço: R$ 13,79. Mal paga um pastel e um caldo de cana ali na esquina.

Mas, o que chamou a minha atenção, já que caí de paraquedas nesse jogo? Sinceramente não sei. Mas fiquei curioso para ver como a estrutura interativa tinha sido resolvida e pelo estilo das imagens em P&B. Literalmente paguei pra ver.

Confesso que ainda sinto um certo desconforto em chamar narrativa interativa de jogo, incluindo ai os meus. Mas entendo que interagir com a direção ou os rumos que a história pode ter é sim algo que tira esse tipo de produção das mídias tradicionais: não é um livro, não é um filme, não é a vovó contando uma historinha pra gente dormir. É algo mais que só computadores, celulares e consoles podem nos oferecer.

E tem mais: é a primeira vez que me deparo com uma produção feita no Ren´Py disponível na Steam e isso, por si só, já subiu no meu conceito. Pra quem (ainda) não sabe, o Ren’Py é uma engine gratuita e de código aberto focado na criação de Visual Novels e simuladores de vida. Ela permite que criadores misturem texto, imagens e sons para contar histórias interativas. Utiliza uma linguagem de script simples, o que facilita a escrita de grandes volumes de diálogos. É baseado em Python, permitindo que usuários mais avançados criem novas mecânicas de jogo.

Pesquisei na internet sobre menções, análises, dicas, qualquer coisa que declarasse: esse jogo existe. Mas nada encontrei (na verdade foi o Google que não encontrou). O jogo também não tem cotação de owners nem no SteamSpy e nem no SteamDB, o que acredito ser resultado de pouquíssimas vendas, por conta da inexistente divulgação (me parece o óbvio). Dito isso, vamos ao jogo…

Não tinha prestado muita atenção na descrição mas ao ler sobre “acessar fragmentos de memórias” de uma civilização que não existe mais, meu sentido aranha de curioso aguçou ainda mais. Nesse ponto já estou visualizando novecentas variações e direções. Foco, meu jovem.

Gostei do visual. Meio tentado a dizer que preferia as imagens em resolução melhor que o pixel art mas isso realmente não incomodou dessa vez e o visual P&B dá aquele estilo noir delicado. A parte sonora é competente, embora eu ainda tenha dúvidas de que o enredo precise de um “clima” adicional.

Li uma ou duas críticas na própria Steam falando sobre sons, imagens e texto feitos em IA, mas é chilique gratuito. Também percebi algo como “simplicidade de enredo” mas, heim, ninguém lê uma Graphic Novel e imagina que vai assistir aos cinematics do Squadron 42. Nem de longe e nem de perto.

O tema é super atual: uma IA que “restou” no mundo e não é a Skynet. tentando nos aniquilar Fragmentos de memória que definem experiências interessantes e… não vou dar spoilers aqui. Mas fica a dica: se a IA te assusta, tire o escorpião do bolso e jogue Vida pelo menos uma vez.

Não levei nem uma hora de jogo para chegar a um dos finalmentes. E essa é também a beleza da coisa: muito mais do que isso e fatalmente perderia o interesse.

Conclusão: curti um final de tarde de um sábado encoberto. Poderia ter ido no cinema assistir um filme qualquer, gastando por baixo uns 300 reais e estaria aqui sem nem lembrar direito da trama do dito filme. Ao contrário, estou remoendo umas ideias de como e onde a IA vai nos levar. Só espero que as minhas memórias sobrevivam em alguma mídia de armazenamento, quando a IA dominar tudo, para o desespero dos chiliquentos.

Ficha Técnica

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