Joguei Mark of the Deep no PC, via Steam, e a conclusão é objetiva: a Mad Mimic entregou um projeto ambicioso, consistente e tecnicamente bem estruturado. Dentro da Made in Brazil Sale 2026, ele funciona como um dos exemplos mais fortes do atual nível da indústria brasileira.
Ele entrega qualidade de execução, integração de sistemas e clareza de proposta.
Narrativa e construção de mundo
A história acompanha Marcus “Rookie” Ramsey, um pirata que desperta em uma ilha desconhecida após o naufrágio do navio Sereia. A ilha não consta em mapas e apresenta uma maldição que transforma humanos em criaturas marinhas ao longo do tempo.
Rookie é imune a essa corrupção, e essa condição é o eixo estrutural da narrativa e da progressão. A imunidade permite que ele avance por áreas contaminadas, resgate membros da tripulação e estabeleça um acampamento central que funciona como hub seguro.
A mitologia da ilha é construída por meio de diálogos, tabuletas espalhadas pelo cenário e referências a um conflito antigo envolvendo cultos e a figura do Guardião da Marca. A narrativa é gradual e suficiente para entregar o mistério sem interromper o ritmo da exploração.
A direção de arte trabalha com biomas distintos, iluminação contrastada e arquitetura em ruínas que reforçam a identidade do mundo. A dublagem em PTBR amplia a imersão, especialmente considerando o escopo do projeto.
Estrutura de gameplay: metroidvania com base soulslike
Mark of the Deep combina dois gêneros populares, mas faz isso com equilíbrio estrutural.
No eixo metroidvania, o jogo apresenta:
- Progressão baseada em habilidades que desbloqueiam novas áreas.
- Conexões orgânicas entre regiões.
- Atalhos que reduzem retrabalho após derrotas.
- Um hub central que evolui conforme personagens são resgatados.
O level design demonstra planejamento. As áreas se conectam de forma lógica e incentivam memorização espacial. A ausência de mapa tradicional obriga o jogador a prestar atenção no ambiente e reconhecer pontos de referência visuais.
No eixo soulslike, o jogo incorpora:
- Combate baseado em leitura de padrões.
- Esquiva com gestão de timing.
- Checkpoints que restauram vida e reaparecem inimigos.
- Chefes com múltiplas fases e variações de ataque.
Importante destacar que o sistema evita punição econômica ao morrer. Recursos acumulados não são perdidos, o que mantém o desafio concentrado na execução mecânica, não na repetição excessiva.
Combate: funcional, responsivo, com um ponto específico de melhoria
O combate é funcional, com o anzol como arma principal, possuindo bom alcance e impacto visual. Armas secundárias e habilidades ampliam as possibilidades estratégicas, especialmente no controle de espaço e enfrentamento de múltiplos inimigos.
O único ponto crítico está na lógica de direcionamento dos ataques. O personagem executa o golpe com base na direção do corpo no momento do input, sem ajuste dinâmico para acompanhar o deslocamento do inimigo durante a animação. Em golpes carregados, é comum o alvo se mover levemente e o ataque errar mesmo quando a intenção do jogador foi correta.
Essa limitação não compromete o sistema como um todo, mas aparece com frequência suficiente para ser percebida em confrontos mais exigentes.
Chefes, progressão e ritmo
Os chefes apresentam identidade própria e padrões distintos, exigindo aprendizado do jogador. Não são apenas versões ampliadas de inimigos comuns.
A progressão é estruturada por:
- Melhorias de armas.
- Artefatos passivos com efeitos específicos.
- Expansão de vida.
- Habilidades que alteram a navegação no mapa.
O hub central reforça a sensação de avanço ao liberar serviços e interações conforme a tripulação é reunida.
A campanha oferece duração robusta, com dezenas de horas considerando exploração completa e missões secundárias.
Relevância dentro da Made in Brazil Sale 2026
A campanha Made in Brazil Sale tem como objetivo ampliar descoberta e acelerar decisão de compra. Mark of the Deep contribui diretamente para isso por apresentar padrão técnico comparável a indies internacionais consolidados.
Ele demonstra maturidade de estúdio, domínio de escopo e clareza de design. Para jogadores que apreciam metroidvania e combates técnicos com inspiração soulslike, trata-se de uma escolha segura dentro da campanha.
Não é um jogo perfeito, mas a execução é consistente, o escopo é bem controlado e o resultado final posiciona o título entre os destaques brasileiros recentes.
Minha nota permanece 9.
João Custódio é Relações Públicas Estratégicas e Recrutamento Executivo na Indústria de Jogos e auxilia estúdios a se posicionarem para contratar os melhores talentos. O artigo é uma reprodução do texto disponibilizado originalmente no Linkedin.
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