Não é de hoje que sistemas e motores para a criação de narrativas interativas (ilustradas ou não) estão à disposição daqueles que pretendem contar uma história, com uma dinâmica não linear. Nos tempos modernos essas ferramentas estão se sofisticando cada vez mais e o Aventex, criado por um brasileiro (Jamesson James) está chegando aos nossos computadores e celulares com o quem tem de melhor e mais avançado à mão: a inteligência artificial.
Passei uma tarde toda conhecendo o sistema e mesmo ainda não tendo me aventurado a criar um enredo nele, achei o resultado das três narrativas já disponíveis bem interessante. Elas seguem o modelo tradicional dos famosos Livros de Aventuras dos anos 70 e 80, mas com uma elegância funcional e um visual que não faz feio frente a nenhum sistema estrangeiro, cantado em proza e verso por 10 entre 10 pretendentes a autores no Brasil.
A página inicial já deixa muito clara a proposta. O usuário pode escrever capítulos, criar escolhas ramificadas, acrescentar elementos de RPG e publicar a aventura para que outras pessoas joguem. Há biblioteca, favoritos, perfil e uma espécie de loja/vitrine com classificação por novidades, popularidade e votos. Ou seja, conceitualmente o Aventex está mais próximo de uma plataforma de publicação de aventuras interativas do que simplesmente de um motor.
E há uma decisão a ser considerada como potencialmente acertada: oferecer duas camadas. Pelo exemplo em destaque, A Busca pelo Cristal de Eluria, existe um modo avançado, incluindo combate de RPG, testes de habilidade, armadilhas e múltiplos finais. Além dos atributos geralmente presentes em aventuras desse tipo, como força, vida, estamina, etc..
Isso permite, pelo menos em princípio, que alguém faça desde um livro-jogo relativamente simples até alguma coisa mais próxima de um RPG narrativo. Outro ponto interessante é a IA para imagens. O site anuncia geração de capas e cenas levando em consideração título, história e escolhas, com 16 modelos pré ajustados para servir como base da sua narrativa, nos estilos Alta Fantasia, Medieval Realístico, Cyberpunk, Exploração Espacial, Terror & Sobrevivência e Pós-apocalíptico.
Isso resolve um problema enorme para o autor solitário: conteúdo visual. Para alguém que escreve bem mas não desenha, ter a ilustração integrada ao próprio ambiente de criação é uma vantagem enorme.
O Aventex, em última análise, se apresenta não como sistema, ou apenas como editor mas como uma plataforma que reúne as três coisas básicas deste tipo de mercado: aventuras, ferramentas e comunidade. As aventuras são poucas, a ferramenta ainda precisa de uma documentação mais robusta e a comunidade… Ah, a comunidade! Precisamos encontrá-la onde quer que ela esteja. Mas no começo é assim mesmo: um passo de cada vez.
Fui apresentado ao Aventex pelo próprio autor (Jamesson) que num e-mail creditou a inspiração para fazê-lo numa ferramenta chamada Livro de Aventuras há uns 30 anos atrás quando, segundo ele, se interessou por este tipo de narrativa. Dizer que isso foi uma honra gigantesca é muito pouco perto da alegria de saber que tem pelo menos outro brasileiro maluco, que gosta das mesmas formas de “contar uma história” que esse velho game designer.
Então, só posso dizer isso: Jamesson, puxe um banquinho e venha pra perto. Tem muita coisa pra gente conversar e debater. E se alguém que estiver lendo esse post no Indie Brasilis também quiser se aprochegar, não fique acanhado. Mais alguns e gente cria o clube da narrativa interativa.
