O segmento de VR permanece, apesar de muitos esforços de empresas como Meta e Sony, um nicho de expressão muito relativa quando se trata de jogos e experiências imersivas de entretenimento. O custo dos recursos envolvidos pode ser um dos motivos para a pouca disseminação da tecnologia, talvez o público ainda não tenha incorporado de forma cotidiana a proposta por mera falta de maior visibilidade das criações do gênero ou simplesmente a proposta caia em desuso, como aconteceu com os televisores com tecnologia em 3D, que simplesmente deixaram o mercado por falta de consumidores.

Seja qual for o caso, ainda há trabalhos que se apropriam desta vertente tecnológica e seguem firmes neste campo, a exemplo da bem sucedida série Pixel Ripped, da desenvolvedora Ana Ribeiro e do estúdio brasileiro ARVORE, ou de Má-Cabra: indie brasileiro de terror disponibilizado como um protótipo pelos designers Flik_Ink, Icarooocaaa e Gustavo Santos.

“Um exorcista encontrou uma falha em sua tentativa de selar o demônio Cabra Cabriola. Agora, preso em um barraco onde rituais dedicados à criatura estavam sendo realizados, ele precisa terminar o que começou antes que uma entidade conseguisse invadir o local”, comunica o infirme do game. “Vivencie uma tensão crescente à medida que cada segundo aproxima o ritual do sucesso… ou do seu fim”, detalha o texto.

Como explica a página do projeto na plataforma Itch.io, trata-se de “um protótipo experimental de realidade virtual, criado como parte do nosso projeto na plataforma”. “O objetivo era testar a mecânica, a interação e o ambiente em realidade virtual, portanto algumas funções ainda são simples ou experimentais. Mesmo assim, espero que a experiência seja imersiva e instigante o suficiente para dar uma ideia do potencial do projeto”, continua a informação online.

O mito da Cabra Cabriola é uma lenda do folclore brasileiro conhecida pela figura de um monstro em forma de cabra que solta fogo e come crianças desobedientes e, de acordo com relatos, teve origem na região de Portugal e ganhou fama e expressão popular no Nordeste do Brasil. A assombração se manifesta imitando a voz de um parente querido, como a mãe ou a avó, para a criança abrir a porta. Ao abrirem a porta, as crianças somem para virar sopa ou comida da fera.

A produção inclui um breve tutorial integrado ao próprio jogo, explicando os principais controles e ações e, como comentam seus criadores, por se tratar de um protótipo, podem ocorrer eventuais erros, limitações e comportamentos inesperados durante a condução do jogo.

O jogo foi lançado oficialmente em dezembro de 2025. “Estamos acompanhando de perto as primeiras análises, o feedback e os vídeos de gameplay. A recepção tem sido extremamente positiva no que diz respeito à atmosfera e à imersão. Muitos jogadores comentaram que a sensação de confinamento e a proximidade dos ‘visitantes’ no ambiente de realidade virtual estão provocando sustos genuínos — o que, é claro, era exatamente o que queríamos”, observaram os desenvolvedores em mensagem disponibilizada no DevLog da produção.

“Também estamos de olho nos vídeos, pois ver as reações dos jogadores aos sustos na realidade virtual é um bônus especial para a equipe”, comemoram os idealizadores da proposta.

Como curiosidade, há o fato de o jogo não contar com idioma disponível em português do Brasil. Não menos importante, o status atual da produção aparece como “cancelado” na página do game, informação que chama a atenção quando comparada com a receptividade positiva anunciada pelos criadores.

O Indie Brasilis entrou em contato com um dos responsáveis pela criação na busca de maiores informações sobre o projeto e eventuais atualizações. Havendo retorno, este artigo será completado com outros dados.

Má-Cabra pode ser baixado gratuitamente no Itch.io.

Abaixo, você confere um vídeo de gameplay de Má-Cabra:

Imagem: fotomontagem

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