A história da fabricante de brinquedos e novidades tecnológicas TecToy é permeada de projetos ligados a consoles e aos jogos digitais, especialmente quando se fala em equipamentos e produtos da SEGA, fazendo grande sucesso no mercado brasileiro desde o final dos anos 80.
Em 1994, a empresa lançou um inusitado brinquedo que fazia sucesso entre o público infantojuvenil pela curiosa característica de ser desagradável – na verdade, mal cheiroso. Era o Sapo Xulé, criação do ilustrador Paulo José, a partir da famosa cantiga infantil que diz que “o sapo não lava o pé, não lava porque não quer…”.
A garotada vibrava ao retirar o tênis das patinhas do personagem e sentir aquele futum típico de um chulé, situação que beirava o absurdo e rendia muitas risadas entre os familiares. Foi questão de tempo até que a empresa decidisse levar o conceito para as mídias interativas, considerando o potencial da criação.
Como explicou o executivo Stefano Arnhold, presidente do conselho da Tectoy, em entrevista de 2016 para o jornalista Claudio Prandoni, “em uma pesquisa que fizemos anos atrás, chegamos à conclusão que o nosso consumidor jogava em média 2,6 horas por dia. É muito! Isso mostrou pra gente a responsabilidade que tínhamos. O envolvimento das pessoas com o produto era muito grande”, fenômeno que justificava o empenho na produção de mais jogos voltados para o mercado brasileiro.
Já existiam, ou estavam para ser lançados, outros ‘hacks’ oficiais da Tectoy para os consoles comercializados por aqui, como “Mônica no Castelo do Dragão”, “Chapolim X Dracula” e produções próprias da Tectoy, como “Castelo Ra-Tim-Bum” e “Férias Frustradas do Pica Pau”, de modo que a equipe decidiu dar ênfase na produção do game ambientado no brejo do batráquio fedorento.
O site Sexta-feira Clássica informa que o “jogo é uma reprogramação (romhack), de um título já lançado pela Sega em 1989, chamado Psycho Fox, e que chegou ao Brasil pela TecToy em 1994”. “Sapo Xulé vs os Invasores do Brejo é um clássico brasileiro, para enriquecer ainda mais o querido Master System”, afirma o texto de Fabrício Pedroza, redigido em agosto de 2022.
“Havia também as adaptações, caso dos jogos do ‘Sapo Xulé'”, rememorou João Manoel Quadros Barros, um dos talentos que passaram pela Tectoy naqueles anos criativos e concedeu entrevista à edição nº 14 da revista digital Jogos 80, publicada em dezembro de 2014.
João Manoel comentou que, para realizar as adaptações e criações nacionais de games para os dispositivos da SEGA, os técnicos foram forçados a fazer a engenharia reversa dos jogos importados, em razão da falta de um devkit para a produção dos games. “Com a ferramenta de desenvolvimento pronta [criada na própria TecToy], o trabalho acontecia bem mais rápido”, recordou.
“Eu me lembro do ‘Sapo Xulé: SOS Lagoa Poluída’. Se eu não estiver enganado, ele é uma adaptação do ‘Psycho Fox”’, não me lembro direito”, afirmou, equivocado, o profissional, retomando pela memória a época em que era o responsável pela área de desenvolvimento de negócios na fabricante de jogos. Na verdade, Sapo Xulé: SOS Lagoa Poluída, foi lançado somente em julho de 1996, como último game da saga e adaptado do game original ‘Astro Warrior’; ‘Sapo Xulé Vs. Os Invasores do Brejo’, o primeiro game da série, saiu em maio de 1995 e, como indicado anteriormente nesse texto, e adaptado de ‘Psycho Fox’; ‘Sapo Xulé: O Mestre do Kung Fu’, segundo game na lista do anfíbio chulezento, foi produzido a partir de Kung Fu Kid, também em 1995. “Enfim, após o desenvolvimento do engine, tudo ficou mais rápido”, observou.
“Algo cheira mal no brejo… além do Chulé do sapo, O impiedoso Sapo Boi, com a ajuda do malvado Lagartão, e de Sibila, a cobrinha feiticeira, recrutou um terrível exército de girinos, moscas gigantes e outros monstros… Com a intenção de dominar a lagoa e escravizar os seus habitantes. Não satisfeito com suas perversidades, o vilão resolveu raptar a Rãzinha, a namorada perfumada do Sapo Xulé, para transforma-la em sua princesa. Para salvar a sua amada e deter o tirano cruel, O Sapo Xulé pediu a ajuda de seus amigos Porcopum, Ratopulga e Tartafede. Amigos inseparáveis que possuem fantásticas habilidades. Prepare-se você também para ajudar o Sapo Xulé neste sensacional desafio”, comunica a divulgação oficial do game, detalhando o contexto da aventura.
“Neste jogo de plataforma, todos os personagens podem matar inimigos atacando ou pulando em cima deles até o final dos níveis, se não derrotados adequadamente, eles retornarão e atacarão novamente. Além de monstros, serão encontrados vários obstáculos como balas de canhões, bolas de fogo, caixas e outros. Itens especiais como as meias do Sapo Xulé, moscas mágicas, sacos de moscas e tênis-bumerangue ajudarão durante os níveis. Para alternar entre os personagens é preciso usar a poção mágica da Sibila, que transformará o sapo em outro animal. O Personagem deve seguir por sete níveis, cada qual divididas em três rodadas”, pontua o informativo do museu virtual Bojogá. Além do Master System original, o game também ganhou lançamento para dispositivos posteriores, como o Master System III Compact e Master System Super Compact.
“Ao longo do trajeto que percorrer haverá lagos, cidades, ilhas flutuantes, ilhas de nuvens e trampolins. Surgirão, ainda, várias espécies de obstáculos, verdadeiras armadilhas: pontes que de repente desaparecem, escadas traiçoeiras, encostas escorregadias, bem como superfícies e forros repletos de agulhas”, resenha o manual que acompanhava o cartucho do game, disponível online no site BD Jogos. “Sua tarefa é achar o melhor jeito de ultrapassar esses obstáculos. Cabe a você decide o que é melhor: enfrentá-los diretamente ou achar uma estrada no céu, para evitá-los”.
O jogo de aventura 2D em plataforma, desenvolvido em conjunto pela Vic Tokai, Graphic Research e Tec Toy, saiu pela empresa exclusivamente para o Master System, registra o site do repositório informativo online Video Game Data Base, o VGDB, ressaltando tratar-se de um hack oficial licenciado, lançado exclusivamente no Brasil.
“Os gráficos são bastante coloridos e bonitos. Tanto o sapinho carismático quanto os inimigos são bem desenhados, chegam até a lembrar os desenhos animados dos anos 80. Os cenários são bem variados e vão de cavernas, desertos, zonas de gelo etc… Na parte sonora, as músicas são simples, porém muito boas. Os efeitos sonoros também agradam muito, e ajudam a dar esse ‘ar’ de desenho animado durante a aventura”, pondera o articulista Pedroza, no já citado Sexta-feira Clássica.
Xulé ganhou sobrevida, agora pelas mãos dos desenvolvedores do Squash Studios, de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, responsável pelo lançamento do novo game da franquia Sapo Xulé e o Casamento Indesejado, em 2023, em comemoração ao 30º aniversário do personagem. De acordo com a divulgação, o novo game “Sapo Xulé e o Casamento Indesejado” foi lançado no Steam em julho de 2025, onde pode ser adquirido por R$ 22,90.
Abaixo, você confere o gameplay do jogo original de 1995 e o trailer do trabalho mais recente, lançado trinta anos depois.


Nome: Sapo Xulé vs os Invasores do Brejo
Plataforma: Master System
Desenvolvedor: Tectoy / Graphic Research / Vic Tokai
Publicadora: TecToy
Gênero: plataforma
Número de jogadores: um jogador
Data de lançamento: 1995
Imagem: fotomontagem
1-Indie/Dia é uma série de textos criados de forma complementar aos artigos produzidos originalmente para o livro Indie Brasilis, abordando com maior profundidade as informações encontradas na mídia tradicional e em conteúdos online os dados sobre os jogos, com os links direcionados para as notícias originais. Outros artigos da série podem ser visualizados por meio deste link.
