Renato Degiovani, profissional há mais de quatro décadas envolvido com a criação de jogos digitais genuinamente brasileiros e coautor deste Indie Brasilis, acaba de figurar em reportagem do site GameBlast resgatando informações sobre aquele que é considerado o primeiro game comercial desenvolvido no Brasil, Aeroporto 83.
O game é, como afirma o próprio criador, sua segunda incursão no design de jogos digitais, que teve Aventuras na Selva como pioneiro, mas que ficou guardado para um momento seguinte por conta de seu código mais extenso. Aeroporto 83, contrariamente, tinha um tamanho mais enxuto, cuja codificação não extrapolava o total de páginas previsto na revista – vale lembrar que, àquela época, qualquer projeto para computadores exigia que o usuário digitasse os códigos no computador para só depois executar os programas – quanto maior o jogo, mais linhas de código eram necessárias, ocupando espaço na revista impressa.
” Naquela época, o microcomputador europeu ZX81, da Sinclair, foi amplamente copiado por empresas nacionais devido à facilidade de sua engenharia reversa e ao custo acessível para a classe média”, afirma o artigo de Lucas Oliveira dos Santos, para contextualizar a realidade brasileira dos anos 80, quando os computadores começaram a chegar – a preços exorbitantes – em terras brasileiras.
“O responsável por dar vida ao primeiro título nacional foi o paulista Renato Degiovani. Reconhecido como o primeiro projetista de games brasileiro a criar e produzir profissionalmente para computadores, ele atuou como o grande evangelizador dessa cultura através da revista MicroSistemas, exercendo o papel de colaborador e diretor técnico da publicação que se tornaria a verdadeira bíblia para os entusiastas da época”, continua o texto.
“Eu estava aprendendo a programar em linguagem de máquina, já tinha feito o Aventuras na Selva e queria fazer um jogo que fosse totalmente em assembler”, relatou Degiovani ao repórter. “Já tinha visto essa ideia de um avião bombardeando uma pista de pouso, feito em BASIC, então eu sofistiquei a pista, fiz a torre, o radar e principalmente as animações de explosão. Isso foi por volta de 1982 e dei ao Aeroporto o mesmo tratamento de produto do Aventuras: livreto e fita K7. Só em 1983 que surgiu a ideia de publicar na Micro Sistemas, pois nenhuma revista de informática no Brasil jamais havia publicado um programa nesta linguagem”, rememorou o designer.
“O Aeroporto 83 original ainda é lembrado por saudosistas e pelo pessoal do retrogames. Essa primeira versão é, de certa forma, representativa de uma época de poucos recursos gráficos e poucos conhecimentos de programação. Deve ser visto e compreendido sob essa ótica. Certamente um jovem hoje vai olhar pra ele e achar engraçado que naquela época um avião era um sinal de maior ‘>’, a bomba era um ponto ‘.’ e o resto eram bloquinhos que eram chamados de ‘plots'”, destacou o criador do projeto, enfatizando as características responsáveis pelo resultado único do game para a época.
“Renato Degiovani é uma das figuras ímpares e relevantes da história da programação e do desenvolvimento de jogos e narrativas no Brasil. Apaixonado por jogos de tabuleiro desde cedo, mais tarde fez refletir esse interesse em diversas aventuras. No início se especializou em softwares comerciais, ferramentas e jogos eletrônicos. O pioneirismo e a relevância de Renato para a computação nacional e internacional são incontestáveis”, escreveu o jornalista em reconhecimento à relevância do desenvolvedor para a cena brasileira de jogos.
O artigo completo pode ser lido no GameBlast.

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