Lançado pela OpenAI em 29 de setembro de 2026, durante o evento OpenAI DevDay em San Francisco, imediatamente passou a fazer parte das minha opções de IA e, como não poderia deixar de ser, já pensei num primeiro teste de campo. A questão era exatamente que problema apresentar para essa versão do GPT, que estava sendo cantado em prosa e verso como uma IA bem superior aos concorrentes. Olha o detalhe da sua apresentação:
Precisão factual: o GPT‑6.1 Sol também melhora a precisão factual em prompts difíceis. Com esforço de raciocínio extra-alto, sua taxa de erros factuais é de 4,1%, abaixo dos 4,5% do GPT‑6 Sol e mais próxima dos 4,0% do Astra na mesma configuração, com um custo por tarefa aproximadamente 83% menor que o do Astra.
O primeiro teste precisava ser algo não muito complicado, mas passível de verificar, com certa facilidade, quanto à precisão da IA. Então, nada mais justo que “perguntar” a ele como deveria ser um site que se apresentasse como “voltado ao mercado indie brasileiro”. Segue o prompt: “Liste pelo menos 5 requisitos para um site dedicado a jogos indies brasileiros que sejam indispensáveis.“
Para um site dedicado a jogos indies brasileiros e voltado ao público consumidor, considero indispensáveis:
1- Foco editorial definido: priorizar jogos independentes brasileiros e explicar os critérios de inclusão, inclusive para coproduções internacionais.
2- Catálogo pesquisável: permitir busca e filtros por gênero, plataforma, preço e situação do jogo — em desenvolvimento, acesso antecipado ou lançado.
3- Informações verificadas e atualizadas: identificar estúdio, plataformas, disponibilidade, idiomas e recursos de acessibilidade, indicando fontes e data de atualização.
4- Links oficiais para jogar: direcionar para lojas, demos e páginas dos desenvolvedores, facilitando a descoberta e a compra.
5- Análises úteis ao jogador: avaliar jogabilidade, desempenho, conteúdo e limitações com critérios claros, informando plataforma e versão testadas.
6- Transparência editorial: distinguir notícias, opiniões, publicidade e conteúdo patrocinado; declarar vínculos e cópias recebidas para avaliação.
7- Boa experiência de navegação: funcionar bem em celulares, carregar rapidamente e oferecer navegação acessível, sem publicidade que atrapalhe a leitura.
8- Canal de contato e correções: permitir que leitores e desenvolvedores comuniquem erros, sugiram jogos e solicitem atualizações.
9- Cobertura diversificada: dar espaço a diferentes regiões, gêneros e portes de projetos, incluindo produções pouco conhecidas.
10- Identificação dos responsáveis: apresentar equipe, autoria dos conteúdos, proposta editorial e política de privacidade.
Faz todo o sentido do mundo, afinal o que mais tem por ai são sites que se dizem “apoiadores do indie br” mas que obedecem ao figurino mais do mesmo, priorizando sempre os títulos estrangeiros mais conhecidos comercialmente. E já que chegamos até aqui: “Faça uma lista de sites ou mecanismos, voltados para o mercado de games indie brasileiros, que sejam relevantes para o público consumidor.“
Para o consumidor, eu priorizaria os canais abaixo pela capacidade de descobrir jogos, avaliar a experiência e encontrar onde jogar. A seleção considera utilidade, sem estabelecer um ranking de audiência.
Controles Voadores – site e podcasts: descoberta de títulos, entrevistas com criadores e acompanhamento da produção nacional. É a opção mais alinhada ao recorte solicitado. É dedicado a jogos brasileiros, com forte presença de independentes.
IndieBrasilis – catálogo e conteúdo editorial: ajuda a conhecer jogos nacionais, incluindo produções menos visíveis e títulos históricos. Útil para explorar além dos lançamentos mais divulgados. Alto destaque para produção nacional, com escopo histórico mais amplo.
Jogos Brasileiros – curador na Steam: facilita encontrar títulos e adicioná-los à lista de desejos. Atenção: o próprio curador informa que marca todos como recomendados; funciona como catálogo, sem distinguir qualidade. Destaque para jogos brasileiros, sem exclusividade indie.
Gamescom Latam / BIG Festival – evento e seleção de jogos: permite descobrir e experimentar jogos selecionados. O BIG Starter oferece um recorte específico da produção independente brasileira. O festival principal é internacional.
Nautilus – canal de crítica e curadoria: vídeos ajudam a entender propostas e escolher o que jogar. Já realizou seleção de indies brasileiros em parceria com o Controles Voadores. Cobre jogos de várias origens, incluindo brasileiros.
r/JogosIndiesBR – comunidade no Reddit: aproxima jogadores e desenvolvedores, com divulgação de projetos, recomendações e discussões. Útil para descobertas iniciais; publicações podem ser promocionais e não passam por curadoria editorial. Destaque para perfil comunitário.
O GPT 6.1 Sol se mostrou preciso (e extremamente rápido) mas confesso que fiquei surpreso pelo resultado formal do segundo prompt. Menos pelas presenças e mais pelas ausências. O resultado mostra que as IAs não servem apenas para fazer código, montar textos, planilhas, músicas ou imagens deslumbrantes mas também para auxiliar no olhar crítico ao que temos à nossa frente.
Não se trata de certo ou errado, mas de facilitar um olhar mais acurado para os fatos. Talvez isso explique, em parte, o medo que tantos andam demonstrando em relação à inteligência artificial, propondo sempre que possível o seu enquadramento em formato de censura.
