O Indie Brasilis resgatou este texto, que escrevi em 2013, quando ocupava a função de editor-chefe do site GameStorming, um veículo de prestígio entre os desenvolvedores daquela época, por trazer artigos sobre produção nacional de jogos e questões ligadas ao processo de criação e desenvolvimento, alicerçado por um time de grandes profissionais da época. O artigo em questão foi produzido a partir da visitação da Brasil Game Show daquele ano, em um período no qual o Game Dev brasileiro tinha ainda menos espaço e importância para a organização do evento, que começava a abrir seus olhos para a nossa produção.
Restituo, abaixo, o texto original sem alterações, para que o interessado possa avaliar o trabalho elaborado pelo estúdio, que investiu em peso para levar sua realização a conhecimento do público, acreditando verdadeiramente nesse difícil segmento do mercado nacional. Não há informações sobre a continuidade do estúdio com outras produções, donde se supõe, talvez tenham deixado o setor para enveredar em outras áreas, possivelmente mais rentáveis. São histórias que registram a tenacidade e o desejo de realizar o sonho de fazer do Brasil um polo desenvolvimentista de games, já há bastante tempo como se vê, nem sempre com final feliz.
Kleber Seixas, diretor e game designer do estúdio Insignia, de Santa Catarina, largou tudo para abraçar a paixão pelos games e acaba de lançar Lunata Rescue, para iOS.
Há histórias que nos impressionam pela determinação e tenacidade de seus protagonistas. Este é o caso de Kleber Seixas, diretor e game designer do estúdio Insignia, de Santa Catarina, que abriu mão da carreira de dez anos como engenheiro para abraçar a paixão pelos games e criar um produto carismático que acaba de ser lançado para os aparelhos da Apple: Lunata Rescue.
O jogo foi desenvolvido ao longo dos últimos 2 anos, utilizando a tecnologia Unity 3D, e apresenta um visual colorido e cartunesco, que tem tudo para encantar o público infantil. “O Lunata Rescue é um jogo 2.5D”, brinca Kleber. Embora tenha visual 2D, o jogo conta com elementos não visíveis, como o sistema de colisão. “Foi uma experiência desafiadora, por que nós não conhecíamos a ferramenta e levou um tempo para o aprendizado. Deu um certo trabalho”, conta.
O resultado é um clássico plataforma pensado para consoles, e tem uma carga de gráficos bem pesada. Foi um desafio fazê-lo funcionar bem em um celular, um dispositivo que não tem uma capacidade gráfica tão alta, mas nós conseguimos fazer o jogo funcionar sem engasgos”, comemora.
Com belas ilustrações e personagens de traço divertido e infantil, o game aposta na tradicional mecânica de plataforma: “O personagem principal é baseado no ‘Soldadinho’, um insetinho também conhecido em alguns lugares do país como ‘Viuvinha’, que tem um apelo visual bem interessante. Mas, embora seja um jogo de plataforma, ele não funciona como um sidescroller convencional, em que você comanda para a direita ou para a esquerda, você tem que encontrar, em um labirinto, os casulos onde estão os filhotes, os ‘babies‘ que foram sequestrados e retornar à base”, explica o ex-engenheiro.
Insignia Alberto Palmieri Kleber Seixas Ycaro Weschenfelder Robson Siebel2″O público alvo é o pessoal mais novo, mas o game agrada também aos jogadores mais tradicionais, que gostam dos jogos de plataforma dos anos [19]80. Os mais velhos vão curtir a [estética] plataforma e os mais novos, o estilo cartoon!”
Conhecendo o baixo número de aquisições de games para mobiles no Brasil, Kleber usou uma estratégia de atendimento em duas vias distintas: “O jogo está em duas versões na App Store, uma em inglês, paga, e uma exclusiva em português, totalmente gratuita, com publicidade”.
Se o produto final chama a tenção pela qualidade do acabamento, mais incrível é a história de foco e objetividade do designer, que apostou tudo na nova empreitada: “O investimento é todo meu. Criei a empresa e contratei um time, com o dinheiro do próprio bolso. Trabalhei antes em uma outra área, sou engenheiro de formação com 10 anos de trabalho no meio, e mudei radicalmente para a área de games. Os recursos vieram dessa fase anterior”, afirma, certo de ter feito a escolha adequada. “Eu sempre quis trabalhar com jogos, mas não existia a possibilidade. Com o passar dos anos, essa oportunidade apareceu, tornando-se viável de uns 5 anos para cá, o que tornou possível a troca de área. Hoje, estou 100% voltado para o desenvolvimento de games. Somos em 4 pessoas, com 2 programadores, um artista e eu, fazendo o design e toda a parte administrativa”.
Essa história começou ainda antes, com grandes dificuldades: “Comecei fazendo jogos em 2006, em Belém do Pará, por dois anos mas, por falta de mão de obra, acabei mudando para o Sul, sem conhecer nada”, relembra. “Montei uma equipe e começamos a produzir em 2012″.
O jogo Lunata Rescue foi lançado no último dia 21 de outubro, para iOS na App Store a US$ 0,99 (versão em inglês). Até o final do ano o jogo deverá ter versões disponíveis para Android e Window.
O estúdio ofereceu um brinde para ser sorteado pelo GameStorming, composto de boné, camiseta, um marca-páginas e um jogo de 05 canetas esferográficas do jogo Lunata Rescue.
Para participar, crie uma frase dizendo porque o Soldadinho é um inseto bacana e envie para contato@gamestorming.com.br até o dia 15 de novembro. O autor da frase escolhida pela equipe da Insignia recebe o kit em casa.
Imagem: reprodução
