“Até o final do ano, a Maurício de Souza Produções deverá lançar o primeiro cartucho de videogame com enredo e personagens totalmente nacionais.” Com esta afirmação, a reportagem da revista Micro & Vídeo, destacava em sua edição nº 11, em dezembro de 1984, a criação daquele que ficaria registrado como o primeiro game brasileiro para um console, fato que só aconteceu, efetivamente, em 1995, com Férias Frustradas do Pica-Pau, pela TecToy.

“Tratava-se de ‘A Turma da Mônica’, que, segundo a matéria, poderia ser lançado para Atari e Odyssey e, por isso, tornou-se uma das mais incríveis histórias sobre o Odyssey no Brasil, já que a maioria dos jogos eram cópias simples de jogos americanos e europeus (Hoje sabe-se que até os jogos que foram lançados apenas no Brasil foram criados nos EUA ou na Europa…)”, confirma artigo do museu virtual Bojogá.

“O jogo, que seria lançado pela Maurício de Souza Produções e desenvolvido pela empresa paulista de softwares Gadget a partir de um roteiro escrito por Reinaldo Waisman, teria Mônica correndo atrás de Cebolinha para recuperar o seu coelho Sansão. Dentre as várias fases do jogo, Mônica teria que enfrentar abelhas ferozes, raios e desviar-se de maçãs atiradas por Cebolinha, terminando em uma nave espacial. De acordo com informações de José Eduardo Pereira de Mello, o jornal Folha de S. Paulo publicou desenhos de 4 telas do jogo também em 1984”, continua o artigo assinado pelo pesquisador, escritor, historiador e CEO do Bojogá, Daniel Gularte.

Como é padrão nas pesquisas relacionadas aos projetos de jogos digitais brasileiros – especialmente aqueles que jamais foram publicados, aqui ou internacionalmente -, há uma escassez crônica de dados sobre a produção. No levantamento de informações para a elaboração do livro Indie Brasilis (ainda não publicado), este repórter chegou a vislumbrar as artes do protótipo em andamento do game para o estúdio Maurício de Sousa. As imagens não foram baixadas e o link de acesso não foi armazenado, de modo que, após mais de um ano, não fui capaz de reencontrar estes gráficos, que teriam sido muito ilustrativos para este artigo. A busca, no entanto, continua.

“Outra experiência relacionada de 1984 repousou no investimento embrionário em uma empresa de tecnologia. Na mesma época, um grupo de engenheiros da Universidade de São Paulo, identificados como a empresa Gadget (MAGALHÃES, 1984), apresentou a Mauricio recriações fiéis animadas de personagens da Turma da Mônica, realizadas em computadores Apple. A intenção deles era traduzir suas experiências de programação no protótipo de um jogo de videogame ‘para Atari e compatíveis’ chamado Mônica X O Telível Cebolinha”, relata Fábio Luiz Gonçalves Mendes, em sua pesquisa de pós-graduação de 2021, cuja dissertação pode ser acessada online.

“Mauricio demonstrou interesse em investir na proposta independente e trazer, a partir dela, uma primeira tentativa oficial de traduzir os personagens da Turma da Mônica ao universo dos videogames e animação digital. Enquanto planejava lançar o material da Gadget comercialmente ainda em 1984, um contato obtido enquanto promovia As Aventuras da Turma da Mônica no Festival Internacional de Cine de Gijón (Espanha), em julho de 1984, evoluiu em negociações para que Mauricio se tornasse acionista majoritário no Brasil da
empresa canadense Vidiom, especializada em programação de jogos e efeitos especiais tridimensionais para vídeo”, procede a investigação acadêmica em Cinema e Audiovisual para a Universidade Federal Fluminense.

Apesar das expectativas positivas dentro do estúdio MSP com as possibilidades indicadas com as novidades à vista, a atualizações sobre os projetos digitais, como explicou o pesquisador, “esfriariam nos meses seguintes”, sem registros acerca da produção dos jogos digitais mencionados.

Artigo assinado pela jornalista Heloisa Magalhões, em 17 de setembro de 1984, publicado no veículo impresso Jornal do Brasil, intitulava-se “Mônica agora é Estrela de um Videojogo da Atari”, e trazia outras informações sobre a iniciativa de produzir um game com os personagens de Maurício de Sousa. Até o presente momento, esta reportagem não teve acesso a este conteúdo, dado à dificuldade em localizar no Acervo BNDigital, da Fundação Biblioteca Nacional o referido artigo.

“Definido para ser programado no Brasil, este jogo teria sido exclusivo para esse país”, comunica informação online de Marcelo Ribeiro, no site The Odyssey Homepage!, originalmente no idioma inglês.

Nome: Mônica X O Telível Cebolinha
Plataforma: Atari ou Odyssey²
Desenvolvedor: Gadget
Publicadora: não há informações
Gênero: não há
Número de jogadores: um
Data de lançamento: 1985

Imagem: fotomontagem

1-Indie/Dia é uma série de textos criados de forma complementar aos artigos produzidos originalmente para o livro Indie Brasilis, abordando com maior profundidade as informações encontradas na mídia tradicional e em conteúdos online os dados sobre os jogos, com os links direcionados para as notícias originais. Outros artigos da série podem ser visualizados por meio deste link.

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