Alguns games brasileiros bebem na fonte da saudosista estética retrô como forma de revisitar ou homenagear aqueles momentos da juventude onde passar a tarde junto ao console ou atrás do teclado do PC era uma das partes mais agradáveis do dia a dia. Criações recentes como Aviãozinho do Tráfico ou Gráfica Maluca expressam bem essa ideia, mas não são as únicas referências dessa modalidade de design de jogos nacionais.
Entre os gêneros de jogos também muito requisitados pelos jogadores brasileiros, os dungeon crawlers, que se focam na exploração de masmorras e confrontos com criaturas e monstros das profundezas, estão entre os mais tradicionais na história dos jogos digitais, diretamente ligados à cultura dos clássicos RPGs de mesa, como Dungeons & Dragons e pela memória afetiva com games históricos como The Legend of Zelda e Baldur’s Gate, entre outros.
No Brasil, a Behold Studios, desenvolvedora que revolucionou o mercado brasileiro na década passada com a produção de Knights of Pen & Paper, game que simulava uma partida de RPG de mesa, divulgou no final de 2025 se novo projeto, Deep Dish Dungeon, jogo que resgata essa atmosfera, voltando à temática da exploração de túneis e calabouços, desta vez com o gênero dungeon crawler e a diversão típica das aventuras com grupos de aventureiros em jornadas épicas para derrotar monstros e conquistar tesouros.
Deep Dish Dungeon esteve em exibição no exíguo estande do estúdio na Brasil Game Show 2025, que permaneceu lotado de interessados no jogo durante todo o período da feira, dando claras indicações da potência de sua produção e do crescente interesse do público pela temática e pelo design visual do jogo, que bebe apaixonadamente na fonte dos games que se tornaram referência dessa linha de projetos lúdicos interativos em meados dos anos 1990, a exemplo de Heretic, Hexen e The Elder Scrolls: Arena, entre tantos outros.
Como explicou o time da desenvolvedora a este repórter à ocasião, o game recompensa a curiosidade e a engenhosidade do jogador em um ambiente atmosférico que propõe a exploração de corredores, salas e passagens em campanha solo ou com até três amigos, coletando recursos para melhorar a performance de seu personagem e a qualidade do bem-estar coletivo no acampamento.
Com os recursos encontrados, é possível criar ferramentas e cozinhar refeições nutritivas para ganhar força e enfrentar as longas jornadas, enquanto desvenda o enigma que habita as sombras. “Lembre-se: a comida é progresso — com o tempo, desbloqueie receitas que afetam seus atributos de maneiras diferentes”, ensina o informativo oficial do jogo.
Como afirmado acima, o estande do estúdio na BGS era disputando pelo grande contingente de ávidos gamers que rodeavam o lugar querendo conhecer e jogar a novidade. Após jogar rapidamente a versão de demonstração de Deep Dish Dungeon disponível na feira, trocamos algumas palavras com os expositores.
“Deep Dish Dungeon é um jogo sobre comer e explorar”, afirmou um dos jovens que atendiam o público presente, confirmando as impressões da própria comunicação oficial da empresa. Para os fãs de animes, é impossível não fazer um vínculo entre o jogo e Dungeon Meshi, animação japonesa de 2024 cujo tema central versa em torno do combate e captura de monstros em masmorras para criar pratos inusitados para as refeições dos heróis da aventura.
Agora, a página oficial no Steam, onde o game pode ser adicionado à wishlist, acaba de receber uma versão demo para os fãs de RPG e exploração de masmorras baixarem e jogarem, curtindo a experiência vivida por alguns na BGS.
O game brasileiro ainda não tem data de lançamento divulgada, mas considerando que o jogo indie brasileiro alcançou 200 mil wishlists na loja virtual em janeiro passado, não há dúvidas que dever ser o próximo grande sucesso da empresa.
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