Como enfatizam as reportagens do Indie Brasilis, produzir games no país nunca foi fácil, em razão dos abismos tecnológicos existentes em nosso mercado durante décadas e pela dificuldade de especialização na área, além de um mercado sempre irregular, dos elevados custos envolvidos na produção e da falta de divulgação adequada para os trabalhos dos estúdios brasileiros ou, como recentemente afirmou Renato Degiovani, de um ecossistema consolidado para a distribuição e acompanhamento profissional dos games criados no Brasil.
Mesmo nestas condições, os brasileiros (que não desistem nunca!) têm perseverado no desenvolvimento e lançamentos de jogos, criando trabalhos que muitas vezes rompem com esse ciclo, ganhando a atenção do público nacional e dos mercados estrangeiros, mas são poucos os casos do gênero e há ainda muito por fazer, situação que nos leva a produção como Ultimate Jello Party, do estúdio independente UwU Games, que conta com desenvolvedores de regiões brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco, e Sergipe, e produziu o game multijogador que combina elementos de batalhas de cartas, tabuleiro e minijogos.
“Minha percepção sobre a cena brasileira é que ela tem melhorada”, comentou o desenvolvedor Ahalan Bessa Windson, um dos responsáveis pela produção, em conversa com o Indie Brasilis, quando perguntado sobre o contexto em que se dá o panorama atual para lançamento como Ultimate Jello Party.
“Ainda produzimos muito para nós mesmos o que não seria necessariamente ruim se fôssemos um mercado como o do Japão que consome os próprios jogos com frequência”, avaliou, observando que “seria muito legal ajudar a mudar isso, seja para fazer o Brasil consumir mais os próprios jogos ou o mundo consumir nossos games”, identificando os gargalos presentes em muitas frentes neste segmento de jogos da indústria brasileira.
Ultimate Jello Party é um divertido game produzido com coloridas pixel artes, que propõe um desafio para até quatro participantes, cujo objetivo é atrapalhar as estratégias alheias, para ganhar moedas e planejar suas ações cuidadosamente, coletando e acumulando geleias para se tornar o grande vencedor em cada partida. Trata-se de um tabuleiro virtual, no qual os jogadores se revezam para realizar seus movimentos, utilizando cartas com efeitos diversos que auxiliam na conquista das geleias. Ao final do jogo, quem tiver o maior número de gelatina tem seu desejo atendido, vencendo a disputa.
“É um jogo de tabuleiro isométrico onde você e seus amigos ganharão moedas, participarão de minijogos e usarão suas cartas para atrapalhar seus oponentes”, ressaltou o designer, rememorando o conceito do projeto, que trouxe muitos momentos de reflexão sobre a complexidade de idealizar e produzir suas próprias criações no país. “O período foi de aprendizado porque eu nunca tinha trabalhado em um jogo junto de uma equipe que mudou radicalmente do primeiro ano pro segundo, porém, do segundo em diante se manteve por um ano e alguns meses completa”, descreveu Windson.
O profissional identificou na falta de um orçamento regular e mais robusto um destes gargalos críticos da indústria, que impedem o crescimento do mercado nacional. “Continuamos com equipe reduzida desde [aquela época] até hoje e agora só eu estou totalmente dedicado ao jogo, ainda recebendo ajuda do ex-membros”, confidenciou, refletindo a história comum a muitos outros grupos de desenvolvedores do Brasil.
“Definitivamente, o jogo é muito difícil de fazer”, observou em outro momento da troca de mensagens, comentando a ausência de um apoio mais estruturado do ecossistema produtor nacional. “Não havia nenhuma noção de como fazer um multiplayer e, principalmente, que um estilo ‘Mario Party’ fosse tão difícil, ainda mais colocando reconnect no jogo”, afirmou à reportagem “Simplesmente absurdo e, misturando ilustração com pixel art de alta resolução, mais difícil ainda”, sintetizou, mais uma vez emulando os problemas comuns ao meio desenvolvimentista do Brasil no campo dos jogos digitais.
Mesmo diante destas incertezas, Ahalan e os parceiros da UwU Games seguem em produção, cientes de terem um produto de indubitável qualidade e capaz de apresentar seus diferenciais no competitivo segmento. Na trama narrativa do game, o personagem Sr. Gelatina, que detém poderes criativos inigualáveis e um vício por jogos digitais, surge como um Mestre dos Jogos e convoca figuras importantes de todo o Universo para competirem em suas criações mais intrigantes, segundo a divulgação do projeto.
O jogo é composto por um tabuleiro e cartas virtuais, que são mais do que apenas ferramentas: elas permitem que você navegue pelo tabuleiro, obtenha melhorias e sabote seus oponentes. No início de cada turno, os jogadores recebem uma caixa de itens contendo recursos básicos para seus movimentos e, ao longo da partida, podem direcionar suas rotas para encontrar o misterioso Comerciante e comprar cartas de preços e raridades variadas. A surpresa é um fator constante e você nunca sabe que reviravoltas malucas uma partida pode tomar, comunica o texto oficial da produção, que já conta com página no Steam, onde os interessados podem solicitar a oportunidade de participar de sessões de playtest com os desenvolvedores e incluir o game na lista de desejos.
“Gostaria de destacar que nosso jogo está e se manterá atualizado e de graça até o dia do lançamento”, salientou o designer. “Basta apenas pegar o jogo na própria página da Steam e, para quem estiver interessado em dar feedback, estou disponível no Discord do estúdio pelo nick Dasij”, finalizou.
O party game de ação e aventura tem lançamento previsto para o segundo trimestre de 2026
Imagem: fotomontagem
