O site Indie Brasilis publicou recentemente uma lista de 45 games indies (de um total de 47 na página oficial) que estarão na BGS deste ano e praticamente todos já tem presença na Steam. Então, como não poderia deixar de ser, fiz uma lista daqueles que mais me chamaram a atenção e, se tudo correr bem, pretendo vê-los em loco. Destaque para os indies br mas não escapei de mencionar alguns gringos também.
Antes porém uma observação: roguelike, deckbuilder, soulslike e horror estão por toda parte. Isso não é necessariamente ruim, mas evidencia o perigo de o desenvolvedor independente trocar a antiga obsessão pelo “meu jogo é um Mario” pelo “meu jogo é um roguelike com elementos de…”. Entendo que essa é a maneira mais fácil e simplória de dizer (por cima) o que esperar do jogo.
Depois de percorrer a lista toda, eu colocaria um círculo vermelho nos games a seguir e com isso não estou dizendo que serão os 14 melhores. Estou dizendo que, olhando de fora e de forma descompromissada, são aqueles nos quais encontro com maior facilidade uma pergunta que gostaria de fazer ao desenvolvedor. Seja lá porque for, esses chamaram a minha atenção.
Tupi: A Lenda De Arariboia – RPG roguelite/monster inspirado em Arariboia e mitologia indígena sul-americana. Aqui temos identidade brasileira não como bandeirinha no cenário, mas como matéria-prima do próprio universo. Um dos que eu observaria com mais atenção.
https://store.steampowered.com/app/3472180/Tupi_The_Legend_of_Arariboia_Demo/
Tape Us Out – Puzzle cooperativo assimétrico em que dois jogadores são sugados para uma fita VHS. Aqui tema e mecânica parecem nascer juntos – exatamente o tipo de conceito que gosto de encontrar num indie.
https://store.steampowered.com/app/3661830/Tape_Us_Out/
BACKUP_71 – Investigação, conspiração, computador retrô completamente interativo e infestação que precisa ser controlada. Talvez um dos títulos mais próximos da minha praia de toda a seleção.
https://store.steampowered.com/app/5051030/BACKUP_71/
Caravana 2000 – Talvez uma das ideias mais brasileiras da lista: noites caóticas, “fantasias quase famosas”, arrastões sobrenaturais e bullet heaven. Pode transformar identidade cultural em mecânica em vez de apenas decoração.
https://store.steampowered.com/app/4660450/Caravana_2000/
Paradoxical – Puzzle em primeira pessoa em que os próprios portais são objetos físicos carregáveis. Talvez seja uma das mecânicas mais imediatamente interessantes da lista: você entende a ideia em uma frase e imediatamente começa a imaginar problemas que ela pode criar.
https://store.steampowered.com/app/4040750/Paradoxical/
Onikura – Boss rush 2D com plataforma e combate. Aqui existe um indicador concreto muito forte: a demo acumulava 1.352 avaliações, com 98% positivas na consulta. Entre as promessas da BGS, é uma das que chegam com melhores credenciais.
https://store.steampowered.com/app/3221930/Onikura_Demo/
Popapom – Roguelite de arena para até quatro jogadores, com mais de 300 layouts previstos na demo e forte inspiração em fliperama. Tem tudo para funcionar especialmente bem dentro da própria BGS.
https://store.steampowered.com/app/3499400/POPAPOM/
Afantasia – Aventura 2.5D inspirada no PS1, sobre memória, imaginação e identidade. Entre tantos jogos centrados em combate, sua disposição para apostar em exploração narrativa já o diferencia.
https://store.steampowered.com/app/3336670/AFANTASIA/.
Litany – Deckbuilder com várias unidades e forte componente de engine building. É um dos projetos que me interessou pelo visual e pela mecânica.
https://store.steampowered.com/app/4227270/Litany/
Lurks Withim Walls – Survival horror + dungeon crawler + combate por turnos. A combinação é suficientemente estranha para chamar atenção e a arte, inspirada nas ilustrações de Trevor Henderson lhe dá personalidade visual imediata. Este é um jogo chileno mas não consegui deixar ele de fora da minha lista.
https://store.steampowered.com/app/3197890/LURKS_WITHIN_WALLS/
Sigils of Nightfall – Outro deckbuilder, mas baseado no RPG de mesa Mörk Borg. Visual sombrio e exploração ajudam a diferenciá-lo da multidão de roguelikes de cartas.
https://store.steampowered.com/app/3039980/Sigils_of_Nightfall/
Sea Walker Saga – RPG/estratégia em mundo inundado, com ilhas móveis. Já lançado em Early Access e com 92% positivas nas 53 avaliações encontradas. Ambicioso e visualmente fácil de vender numa feira. Outro que não é br mas conta com uma comunidade ativa de criadores de conteúdo no Brasil, então tá na lista.
https://store.steampowered.com/app/3169360/Sea_Walker_Saga/
Aviãozinho Pré 4 – Boomer shooter brasileiro feito em id Tech 2, completamente sem vergonha de sua identidade nacional. Só o título completo já vale metade da experiência. É provavelmente um dos projetos com personalidade mais instantânea da feira.
https://store.steampowered.com/app/4241920/
The Black Ice – Survival horror na Antártida. Já possui público e 79% de avaliações positivas na consulta. O desafio agora é mostrar que existe algo além da conhecida fórmula “base abandonada + coisa estranha encontrada no gelo”. Outro que não é br mas entrou na lista mesmo assim.
https://store.steampowered.com/app/3254050/The_Black_Ice/
Vale notar que há um contraste interessante entre projetos acadêmicos, experiências ainda quase embrionárias e jogos que já enfrentaram o mercado. Hello Golem e Tales of the Underground convivem com Hell Clock; uma demo estudantil divide a mesma feira com um produto que já acumulou milhares de avaliações. A BGS pode ser especialmente interessante justamente por isso: não estamos vendo apenas produtos acabados. Estamos vendo vários estágios diferentes da fabricação de um videogame. Talvez esse ano a BGS retome uma posição de destaque no cenário indie brasileiro, que anda ameaçada por outro evento de mesmo calibre.
A lista atual da própria BGS confirma essa diversidade: https://www.brasilgameshow.com.br/jogos-indie/
