Durante os muitos eventos que acontecem no país, voltados aos jogos tradicionais e games, a reportagem do Indie Brasilis busca realizar uma ampla cobertura, com o objetivo de trazer para o público as várias manifestações culturais, artísticas e lúdicas produzidas pelos profissionais e desenvolvedores brasileiros. Em 2023, este repórter esteve presente no Festival Jogatório, evento realizado pelo Sesc 24 de Maio, em São Paulo e idealizado como um panorama da produção de jogos da atualidade, com criações de vários designers de estados brasileiros, convidados para expor e apresentar seus trabalhos em uma grande festa cultural.

À ocasião, tive a oportunidade de conhecer e conversa com Wendi Wu, criadora e roteirista do RPG de mesa brasileiro Here, There, Be Monsters, realizado em produção solo e ilustrado pelo artista Lino Arruda. Abaixo, você confere o bate-papo realizado durante o evento.

“É um jogo em que você joga com monstros ou com pessoas ligadas ao sobrenatural, que defendem estas criaturas contra caçadores de monstros ou pessoas que4 querem se aproveitar do sobrenatural”, explicou a criadora do projeto à ocasião.

Como afirmou Wendi, a proposta visava desde a sua concepção atender ao público com uma forma de jogabilidade simples. “É um sistema baseado em tags, que são palavras que definem os seus personagens. Quando você tem alguma situação de dificuldade ou de riscos, basta rolar 2d6 [isto é, jogar o dado de seis faces duas vezes] – se tiver uma tag que se aplique rola três d6 – e pega o valor mais alto [para sua ação]”, comentou, apresentando o funcionamento das regras básicas do jogo.

Wendi enfatiza que, para inserir uma performance funcional e ágil ao gameplay, definiu seis tags em categorias como Ser, Ter e Fazer, que definem quem é seu personagem, o que ele possui e suas habilidades, contextualizando as ações e reações de sua performance durante as partidas.

O jogo tenta explorar o que eu vejo como um potencial dos RPGs que é tratar de temas, mais do que apenas contar histórias, […[ e eu queria explorar a ideia da monstruosidade, como não são uma coisa específica da marginalização, mas como todo mundo consegue empatizar com a ideia de se sentir estranho em algum momento, de se sentir fora do lugar, e eu acho que isso deve ser um ponto em comum entre várias experiências e gerar empatias entre pessoas marginalizadas ou não”, avalia sua criadora.

“Here, There, Be Monsters é uma resposta de regras simplificadas às obras de caça aos monstros, apresentada sob a perspectiva dos próprios monstros. É, ao mesmo tempo, uma carta de amor e um dedo do meio para títulos como Hellboy (e o BPRD), a Fundação SCP, MIB -Homens de Preto, os jogos do Mundo das Trevas e o gênero de fantasia urbana em geral. Trata-se de um jogo explicitamente ‘queer’, antifascista e anticapitalista sobre o monstruoso e o insólito — em qualquer vertente que você deseje —, não como algo a ser temido, mas sim algo a ser valorizado e protegido”, informa o texto de divulgação do projeto, na página oficial do jogo no Itch.io, onde pode ser adquirido por US$ 15.

O RPG foi lançado em 2022 e, como destacou a designer, conquistou um sucesso relativamente surpreendente no exterior. Curiosamente, até o presente momento, a produção não conta com versão em português.

Imagens: Knave of Cups

Imagem: registro fotográfico de Kao Tokio | fotomontagem

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários