{"id":1495,"date":"2026-03-18T07:30:00","date_gmt":"2026-03-18T10:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/indiebrasilis.com.br\/?p=1495"},"modified":"2026-03-18T10:40:12","modified_gmt":"2026-03-18T13:40:12","slug":"quem-conta-a-historia-dos-games","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/indiebrasilis.com.br\/?p=1495","title":{"rendered":"Quem Conta a Hist\u00f3ria dos Games?"},"content":{"rendered":"\n<p>Quando se fala em ind\u00fastria de games, muita gente pensa imediatamente em desenvolvedores, publishers, plataformas e jogadores. Mas existe um personagem silencioso nessa engrenagem: o <strong>jornalismo de games<\/strong>. \u00c9 ele que registra a hist\u00f3ria, divulga projetos, analisa tend\u00eancias e, em muitos casos, ajuda a construir a mem\u00f3ria de uma ind\u00fastria que est\u00e1 sempre em muta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o jornalismo especializado em jogos come\u00e7ou a ganhar forma ainda nas revistas impressas dos anos <strong>80<\/strong>, <strong>90 <\/strong>e in\u00edcio dos anos <strong>2000<\/strong>. Foi nesse per\u00edodo que a cobertura de videogames passou a ser tratada como uma \u00e1rea pr\u00f3pria dentro do jornalismo cultural e tecnol\u00f3gico, deixando de ser apenas um &#8220;espa\u00e7o&#8221; na m\u00eddia para apresentar m\u00eddias exclusivas de conte\u00fado gamer. Com o surgimento da internet, esse espa\u00e7o migrou rapidamente para os portais digitais, onde ganhou velocidade e volume de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No decorrer dos anos <strong>2000 <\/strong>surgiram diversos sites e portais que passaram a cobrir lan\u00e7amentos, reviews e not\u00edcias da ind\u00fastria. Alguns deles cresceram e se consolidaram como grandes ve\u00edculos. Um exemplo \u00e9 o <strong>IGN Brasil<\/strong>, vers\u00e3o nacional do portal internacional de games, que se tornou um dos maiores sites do segmento na <strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong> e cobre eventos e lan\u00e7amentos globais do setor.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro exemplo \u00e9 o <strong>Voxel<\/strong>, criado em <strong>2007 <\/strong>(originalmente <strong>Baixaki Jogos<\/strong>), que produz not\u00edcias, an\u00e1lises e reportagens sobre videogames e faz parte de um dos maiores grupos de tecnologia do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m surgiram iniciativas independentes importantes, como o <strong>Critical Hits<\/strong>, fundado em <strong>2012<\/strong>, que mistura not\u00edcias, an\u00e1lises e conte\u00fado de opini\u00e3o voltado ao p\u00fablico gamer brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas talvez o aspecto mais interessante da imprensa de games brasileira seja a diversidade de modelos editoriais que surgiram com a internet.<\/p>\n\n\n\n<p>De um lado est\u00e3o os sites que funcionam quase como portais de not\u00edcias r\u00e1pidas. Eles publicam releases enviados por publishers, cobrem trailers, an\u00fancios e eventos internacionais e ajudam a manter o p\u00fablico informado sobre o que est\u00e1 acontecendo no mercado global. Esse tipo de cobertura \u00e9 importante, afinal o mercado de games \u00e9 altamente internacionalizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, existe um grupo menor de ve\u00edculos que tenta ir al\u00e9m do release. Sites que discutem ind\u00fastria, bastidores, pol\u00edtica cultural e desenvolvimento nacional. Um exemplo claro \u00e9 o <strong>Overloadr<\/strong>, criado em <strong>2014<\/strong>, que busca tratar jogos dentro de um contexto cultural e hist\u00f3rico mais amplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro projeto relevante \u00e9 o <strong>Drops de Jogos<\/strong>, que dedica grande parte de sua cobertura \u00e0 cena brasileira de desenvolvimento de games e aos jogos independentes nacionais. E, n\u00e3o poderia deixar de lado, o mais recente deles: o <strong>Indie Brasilis<\/strong>, nascido de um projeto de mapeamento da ind\u00fastria de games no Brasil, desde o seu nascimento e o <strong>Quebrando o Controle<\/strong>, produ\u00e7\u00e3o vinda diretamente do nordeste brasileiro e que est\u00e1 ganhando for\u00e7a no resto do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa diferen\u00e7a editorial revela um ponto importante: cobrir games n\u00e3o \u00e9 apenas falar de jogos. O jornalismo especializado pode abordar tecnologia, economia, cultura, esportes eletr\u00f4nicos, mercado e at\u00e9 pol\u00edtica p\u00fablica relacionada ao setor.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 que, no Brasil, a cobertura do mercado nacional ainda \u00e9 relativamente pequena. A maior parte da imprensa especializada continua focada em lan\u00e7amentos internacionais, grandes franquias e consoles. Jogos brasileiros, est\u00fadios independentes e quest\u00f5es estruturais da ind\u00fastria costumam aparecer muito menos. Mas a tend\u00eancia de melhora nesse setor j\u00e1 \u00e9 uma realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso acontece por v\u00e1rios motivos. O primeiro \u00e9 econ\u00f4mico: sites dependem de audi\u00eancia e publicidade, e grandes lan\u00e7amentos internacionais atraem mais leitores. O segundo \u00e9 estrutural: o mercado brasileiro de desenvolvimento ainda \u00e9 fragmentado e muitas vezes pouco organizado em termos de divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, h\u00e1 sinais de mudan\u00e7a. Nos \u00faltimos <strong>10\/15<\/strong> anos cresceram iniciativas dedicadas \u00e0 cena indie brasileira, transmiss\u00f5es de eventos locais e cobertura de festivais como o <strong>BIG Festival<\/strong>, a <strong>Brasil Game Show<\/strong> e showcases de jogos nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>E esse talvez seja o ponto central para o futuro do jornalismo de games no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a cobertura tradicional de games, baseada em reproduzir releases dos desenvolvedores, especialmente no Brasil, pode estar com os dias contados, em fun\u00e7\u00e3o principalmente da din\u00e2mica (ou falta dela) do mercado. Hoje j\u00e1 existem sinais claros de que os v\u00eddeos de gameplay tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o mais respondendo como em anos anteriores, ainda que youtubers famosos provoquem o del\u00edrio da garotada.<\/p>\n\n\n\n<p>Aparentemente estaremos migrando nos pr\u00f3ximos anos para algo mais pr\u00f3ximo dos podcasts tem\u00e1ticos, ainda que os modelos gen\u00e9ricos de podcasts tamb\u00e9m estejam passando por uma peneira de interesse dos aficionados pelo modelo. Vale a pena ficar de olho nesses segmentos, pois as novidades em termos de cobertura provavelmente vir\u00e3o deles.<\/p>\n\n\n\n<p>A imprensa especializada n\u00e3o serve apenas para informar jogadores. Ela tamb\u00e9m funciona como ponte entre desenvolvedores, p\u00fablico e investidores. Um jogo independente pode passar completamente despercebido sem divulga\u00e7\u00e3o adequada. Uma reportagem ou an\u00e1lise pode ser o primeiro contato do p\u00fablico com aquele projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Num mercado em que milhares de jogos s\u00e3o lan\u00e7ados todos os anos, visibilidade virou um dos recursos mais escassos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o desenvolvimento brasileiro de games quiser crescer de forma sustent\u00e1vel, n\u00e3o basta apenas formar programadores e artistas. Tamb\u00e9m ser\u00e1 necess\u00e1rio fortalecer quem conta essas hist\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque, no final das contas, toda ind\u00fastria precisa de mem\u00f3ria. E algu\u00e9m precisa registr\u00e1-la antes que ela desapare\u00e7a no pr\u00f3ximo feed de not\u00edcias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se fala em ind\u00fastria de games, muita gente pensa imediatamente em desenvolvedores, publishers, plataformas e jogadores. Mas existe um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1496,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[64,62,66],"class_list":["post-1495","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","tag-opiniao","tag-por-um-punhado-de-bits","tag-pra-pensar"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1495","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1495"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1495\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1498,"href":"https:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1495\/revisions\/1498"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1496"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1495"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1495"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1495"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}