{"id":3300,"date":"2026-07-29T07:30:00","date_gmt":"2026-07-29T10:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/indiebrasilis.com.br\/?p=3300"},"modified":"2026-07-27T13:48:03","modified_gmt":"2026-07-27T16:48:03","slug":"stop-killing-games","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/indiebrasilis.com.br\/?p=3300","title":{"rendered":"Stop Killing Games"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s v\u00e9speras completar <strong>43 <\/strong>anos de trajet\u00f3ria do <strong>Amaz\u00f4nia <\/strong>(adventure publicado em <strong>1983<\/strong> na revista <strong>Micro Sistemas<\/strong>) vale a reflex\u00e3o: como ser\u00e3o lembrados e jogados os jogos de hoje, daqui a quarenta anos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqueles que viveram os anos <strong>80 <\/strong>certamente se lembrar\u00e3o da sensa\u00e7\u00e3o de colocar uma fita cassete no gravador, apertar o PLAY e esperar v\u00e1rios minutos at\u00e9 que um jogo finalmente carregasse. Mais tarde vieram os disquetes de 5\u00bc polegadas, depois os de 3\u00bd, os CDs, os DVDs e, finalmente, o download pela internet. Cada nova tecnologia parecia definitiva. Cada uma prometia resolver para sempre o problema da distribui\u00e7\u00e3o dos jogos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nenhuma delas resolveu e, na verdade, apenas mudamos de problema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As fitas cassete sofriam com desgaste magn\u00e9tico. Dependendo da qualidade do material e das condi\u00e7\u00f5es de armazenamento, podiam durar algumas d\u00e9cadas, mas nunca foram eternas. Os disquetes tamb\u00e9m envelheciam. A camada magn\u00e9tica perdia confiabilidade, os discos deformavam e bastava um pequeno dano f\u00edsico para tornar imposs\u00edvel recuperar os dados. Depois chegaram os CDs e DVDs, que pareciam praticamente indestrut\u00edveis. Descobrimos, anos depois, que tamb\u00e9m n\u00e3o eram. A deteriora\u00e7\u00e3o da camada refletiva, problemas de fabrica\u00e7\u00e3o e riscos transformaram muitos discos em pe\u00e7as in\u00fateis muito antes do que se imaginava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante d\u00e9cadas, preservar um jogo significou preservar sua m\u00eddia. Mas hoje isso j\u00e1 n\u00e3o basta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O jogo pode estar armazenado perfeitamente em um SSD, em um servidor ou em uma biblioteca digital. O problema \u00e9 outro: ele pode simplesmente deixar de existir porque algu\u00e9m desligou o servidor, formatou o HD, encerrou um contrato de licenciamento ou decidiu que aquele produto n\u00e3o faz mais parte dos planos da empresa. \u00c9 exatamente essa preocupa\u00e7\u00e3o que deu origem ao movimento <strong><em>Stop Killing Games<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar do nome chamar aten\u00e7\u00e3o, a proposta \u00e9 bastante simples. A parte coerente e racional do movimento n\u00e3o pede que empresas mantenham servidores funcionando para sempre nem que continuem oferecendo suporte eterno aos seus produtos. O que ela defende \u00e9 que, quando uma empresa decide abandonar um jogo, ela tamb\u00e9m tenha a responsabilidade de deix\u00e1-lo em condi\u00e7\u00f5es de continuar existindo. Um modo offline, a libera\u00e7\u00e3o para servidores mantidos pela comunidade ou alguma forma de garantir que a obra permane\u00e7a acess\u00edvel seriam suficientes em muitos casos. Se poss\u00edvel, tudo dentro do minimamente razo\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pode parecer uma discuss\u00e3o de nicho, mas n\u00e3o \u00e9. Imagine se um museu resolvesse destruir um quadro porque a exposi\u00e7\u00e3o terminou. Ou se uma editora recolhesse todos os exemplares de um romance e impedisse qualquer nova leitura. Ningu\u00e9m aceitaria isso como algo normal. Mas \u00e9 exatamente o que pode acontecer com um jogo exclusivamente digital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A situa\u00e7\u00e3o se torna ainda mais delicada porque os videogames j\u00e1 fazem parte da cultura contempor\u00e2nea. Eles registram formas de pensar, estilos art\u00edsticos, avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e maneiras de contar hist\u00f3rias que caracterizam cada gera\u00e7\u00e3o. Perder um jogo significa perder tamb\u00e9m um pequeno peda\u00e7o da hist\u00f3ria e, felizmente, preservar jogos n\u00e3o depende apenas das empresas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Museus especializados, universidades, funda\u00e7\u00f5es e comunidades de entusiastas j\u00e1 realizam um trabalho extraordin\u00e1rio de documenta\u00e7\u00e3o. Eles restauram equipamentos antigos, digitalizam manuais, catalogam vers\u00f5es diferentes de um mesmo programa e registram depoimentos de desenvolvedores. Esse trabalho silencioso \u00e9 t\u00e3o importante quanto conservar um filme antigo ou restaurar uma obra de arte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 tamb\u00e9m medidas relativamente simples que a pr\u00f3pria ind\u00fastria poderia adotar. Documentar melhor seus projetos, manter vers\u00f5es finais arquivadas, liberar o c\u00f3digo de componentes que n\u00e3o possuem mais valor comercial, permitir servidores independentes quando o suporte oficial terminar e facilitar a preserva\u00e7\u00e3o por institui\u00e7\u00f5es culturais seriam passos importantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nem todas essas solu\u00e7\u00f5es servem para todos os jogos, principalmente quando existem contratos de licenciamento ou tecnologias propriet\u00e1rias envolvidas. Ainda assim, \u00e9 poss\u00edvel encontrar um equil\u00edbrio entre proteger os direitos das empresas e preservar a mem\u00f3ria da ind\u00fastria e \u00e9 justamente a\u00ed que a banda mais radical do movimento (e todo movimento tem uma) tenta emplacar o lado puramente comercial e punitivo da coisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passamos quarenta anos tentando construir m\u00eddias cada vez mais dur\u00e1veis e hoje descobrimos que o maior risco j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 na fita cassete, no disquete, no CD ou no DVD. O suporte f\u00edsico at\u00e9 pode sobreviver mas quem pode de fato desaparecer \u00e9 o pr\u00f3prio jogo. E isso nos lembra que preservar videogames nunca foi apenas conservar arquivos ou garantir ressarcimento em transa\u00e7\u00f5es comerciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 garantir que as futuras gera\u00e7\u00f5es possam compreender como n\u00f3s jog\u00e1vamos, sonh\u00e1vamos e imagin\u00e1vamos mundos inteiros dentro de uma tela. Porque uma cultura que n\u00e3o preserva seus jogos corre o risco de perder muito mais do que software. Ela corre o risco de perder parte da sua pr\u00f3pria mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na minha opini\u00e3o? Quando olho para o caminho percorrido at\u00e9 aqui o que eu vejo n\u00e3o \u00e9 m\u00eddia, n\u00e3o \u00e9 suporte, n\u00e3o \u00e9 direito de consumidor mas uma hist\u00f3ria fict\u00edcia, contada num cen\u00e1rio cultural pr\u00f3prio, que ainda hoje faz sentido e \u00e9 justamente isso que deve (ou deveria) ser preservado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0s v\u00e9speras completar 43 anos de trajet\u00f3ria do Amaz\u00f4nia (adventure publicado em 1983 na revista Micro Sistemas) vale a reflex\u00e3o: [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3301,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[64,62,66],"class_list":["post-3300","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","tag-opiniao","tag-por-um-punhado-de-bits","tag-pra-pensar"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3300","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3300"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3300\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3302,"href":"http:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3300\/revisions\/3302"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3301"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3300"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3300"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/indiebrasilis.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3300"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}